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Rentabilidade 8

Aumentar os preços sem afastar os clientes: o método completo

Aumentar os preços sem perder clientes: cálculo dos custos, percentagem certa, calendário de subida e regras de afixação.

O seu ticket médio está parado, as faturas dos fornecedores sobem e a sua carta mantém os preços do ano passado. É a situação de muitos restaurantes. Ainda assim, o medo de perder clientes trava a decisão. Esse medo é largamente exagerado: o que afasta o cliente quase nunca é o aumento em si, é a forma como é feito.

Porque é que aumentar os preços do restaurante se torna necessário

Entre a última revisão da sua carta e hoje, as suas matérias-primas mexeram-se. A manteiga, o azeite, a carne, o peixe, as embalagens: cada rubrica subiu alguns pontos. A energia e os salários seguiram o mesmo caminho. Se os seus preços não mudaram, a sua margem foi-se desgastando em silêncio.

A conta é dura. Num prato vendido a 18 euros com um custo de matéria de 5,40 euros, uma subida de 15 % nas compras leva esse custo para 6,21 euros. Perde 81 cêntimos por prato. Com 40 refeições por dia e 280 dias de abertura, são quase 9 000 euros de resultado que desaparecem ao longo do ano.

Não aumentar é, portanto, uma escolha. Uma escolha que se paga em tesouraria, em capacidade de investimento e, a prazo, em qualidade de serviço. Muitos restauradores preferem cortar nas gramagens ou no pessoal a mexer na carta. É o erro mais caro do setor.

O cliente repara numa dose mais pequena muito antes de reparar em 50 cêntimos a mais na conta.

Conhecer os seus custos antes de mexer na carta

Uma subida decidida a olho nota-se. Uma subida calculada passa. Antes de ajustar seja o que for, precisa de saber onde está, prato a prato.

Calcular o custo real de cada prato

Pegue nas suas fichas técnicas. Pese, valorize, inclua tudo: acompanhamento, molho, pão, manteiga, as perdas no corte. Os custos das matérias-primas situam-se em geral entre 25 e 35 % do preço de venda sem IVA na restauração tradicional, um pouco menos nas bebidas, muito menos no café.

Este trabalho leva duas a três horas para uma carta de vinte referências. É a única forma de perceber que pratos lhe dão mesmo dinheiro e quais está a vender a perder sem dar por isso.

Distinguir margem em percentagem e margem em euros

Um rácio bonito não enche a caixa. Um prato a 12 euros com 30 % de custo de matéria gera 8,40 euros de margem bruta. Um prato a 26 euros com 38 % de custo gera 16,12. O segundo é menos eficiente em percentagem, mas muito melhor para o seu volume de negócios e para o resultado.

  • Custo de matéria por dose, perdas incluídas
  • Margem bruta em euros, não apenas em percentagem
  • Número de vendas nos últimos três meses
  • Tempo de produção na cozinha nas horas de maior pressão

Quanto aumentar: a regra dos pequenos passos

O bom aumento é o que não se vê. Na prática, uma subida de 3 a 6 % por revisão passa quase sempre despercebida. Acima de 10 % de uma só vez, o cliente compara, comenta e às vezes não volta.

Mais vale dois ajustes de 4 % com seis meses de intervalo do que um salto de 9 % de uma vez. O efeito nas suas receitas é o mesmo, a perceção é radicalmente diferente.

Segundo princípio: não aumente tudo. Vise os pratos com muita rotação e pouca margem e deixe em paz os produtos de referência. O café, o copo de vinho da casa, o prato do dia, o menu de almoço: são preços de referência. Os clientes sabem-nos de cor e usam-nos para julgar se é caro ou mais barato do que o vizinho.

Terceiro princípio: evite as barreiras psicológicas. Passar de 19 para 21 euros ultrapassa a fasquia dos 20 e nota-se. Passar de 19 para 19,80 não ultrapassa nada. Há restauradores que eliminam mesmo os cêntimos para facilitar a leitura; as duas abordagens funcionam, desde que seja coerente em toda a carta.

O calendário: quando aplicar a subida

O momento conta tanto como o valor. Uma alteração feita em plena época baixa, junto de clientes habituais, chama a atenção. A mesma alteração no início de época passa sem uma palavra.

As janelas favoráveis

Três momentos funcionam bem: a mudança de carta sazonal, o regresso em setembro e a reabertura depois de um período de encerramento. Nos três casos, a carta muda de qualquer maneira. O cliente não compara linha a linha, descobre uma oferta nova.

Pelo contrário, evite o mês de janeiro, em que os orçamentos apertam, e as semanas a seguir a um incidente de serviço. Uma subida cai mal quando a última experiência do cliente não foi boa.

Com que frequência rever

Duas revisões por ano são um bom ritmo. Uma na primavera, outra no outono, alinhadas com as mudanças de carta. Assim acompanha o mercado sem nunca ter de recuperar dois anos de atraso de uma só vez.

AbordagemRitmoAmplitudeReação dos clientes
Subida de recuperaçãoDe 2 em 2 ou 3 em 3 anos10 a 15 %Forte, comentários na sala e nas avaliações
Revisão sazonal2 vezes por ano3 a 5 %Quase nula se a carta mudar
Ajuste dirigidoEm contínuo1 a 3 pratosInvisível
Nenhuma revisãoNunca0 %Nenhuma, mas margem a cair

Fazer aceitar a subida na sala

Um preço nunca é avaliado sozinho. É avaliado na relação entre o que é servido e o que é pedido. Tem, portanto, duas alavancas: o valor e tudo o resto.

Enriquecer antes de aumentar

Acrescente um elemento visível ao prato duas a três semanas antes da revisão. Um acompanhamento extra, um pão de melhor qualidade, uma entrada oferecida ao fim de semana. O cliente regista a melhoria e só depois vê o novo preço. A ordem dos dois muda tudo.

Rever a apresentação da carta

Uma carta demasiado longa, com uma coluna de preços alinhada à direita, convida a comparar de cima a baixo e a escolher o mais barato. Coloque o preço no fim da descrição do prato, elimine os pontinhos de ligação e limite-se a seis ou sete propostas por categoria. Estes pormenores de paginação influenciam mesmo a escolha final.

Uma carta digital para restaurante torna este trabalho muito mais rápido: testa uma formulação, corrige um preço e a alteração fica online num minuto. Deixa de ter de esperar pela próxima reimpressão para ajustar.

Preparar a sua equipa

O seu pessoal tem de conhecer os novos preços e saber o que responder. Basta uma frase simples: «Renovámos a carta com novos produtos este mês.» Um empregado apanhado desprevenido que pede desculpa pelo preço faz mais estragos do que a própria subida.

  • Faça o briefing à equipa antes do primeiro serviço com os novos preços
  • Verifique a caixa, o site e as plataformas de entrega no mesmo dia
  • Acompanhe o ticket médio e o número de refeições durante três semanas

O preço dinâmico: uma alavanca a usar com cuidado

O preço dinâmico consiste em fazer variar os preços consoante a procura, a hora ou o dia. O princípio vem da hotelaria e da aviação. Na restauração assume formas mais suaves: happy hour, menu de almoço a preço reduzido, promoção à terça-feira à noite, suplemento nos horários mais procurados.

A ideia não é fazer pagar mais ao acaso, mas encher as horas mortas e valorizar as horas de maior procura. Um menu a 21 euros ao almoço e uma carta a 32 euros ao jantar já seguem esta lógica, sem que ninguém se incomode com isso.

Dois limites. A variação tem de ser clara: um cliente que descobre que o vizinho pagou cinco euros a menos pelo mesmo prato leva a mal. E o preço afixado tem de corresponder ao preço cobrado, o que exige uma atualização fiável de todos os suportes. Um menu digital para restaurante permite este tipo de mudança sem risco de divergência entre a sala e a caixa.

As suas obrigações de afixação

Qualquer alteração de preços tem de aparecer em todos os suportes ao mesmo tempo: carta na sala, afixação no exterior, site e plataformas parceiras. Uma diferença entre o preço afixado e o preço faturado expõe-no a uma coima, além da tensão na hora da conta.

As regras sobre as menções obrigatórias, a legibilidade a partir do exterior e as bebidas estão detalhadas na nossa página sobre a afixação de preços no restaurante. Reserve dez minutos para as verificar antes de cada revisão: é tempo ganho em caso de fiscalização.

Um último ponto muitas vezes esquecido: os vinhos. O seu coeficiente é o mais rentável da casa e é também a carta que menos vezes é atualizada. Um ajuste discreto em algumas referências bem escolhidas pode aumentar o ticket médio sem tocar nos pratos.

O essencial a reter

Aumentar os preços não é uma aposta, é um exercício de gestão. Calcula os custos, escolhe os pratos visados, aproveita uma mudança de carta, aplica 3 a 6 %, avisa a equipa e mede o resultado ao fim de três semanas.

Na grande maioria dos casos, a afluência não muda e a rentabilidade recupera de imediato. O que faz perder clientes são as subidas tardias, grandes, mal explicadas e aplicadas em produtos de referência. Todo o resto se resolve com um método e um calendário.

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