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Códigos QR 5

Burla do QR code (quishing): como a identificar e proteger os seus clientes

Falsos QR codes em parques de estacionamento, cartas e anúncios: como funciona a burla do QR code e como proteger o código das suas mesas.

O quishing, a burla do QR code explicada

Um cliente lê o quadrado colado na sua esplanada. Em vez do menu, aparece uma página a pedir o número do cartão. Aquele código não é o seu: é quishing. A palavra junta QR code e phishing.

O tema anda nas notícias, por isso os seus clientes já ouviram falar disto. É mais uma razão para dominar aquilo que cola nas mesas, não para deixar de o fazer.

O que é um QR code?

Um QR code é uma imagem que contém texto, quase sempre um endereço de internet. A câmara lê o código e propõe abrir a página. É um atalho, nada mais: não instala nada nem executa qualquer programa. Se quiser perceber o funcionamento técnico, explicámo-lo em detalhe no artigo sobre como funciona um QR code.

O que é o quishing?

O quishing é phishing clássico, com um código no lugar do link. Os cibercriminosos criam um código falso que encaminha o utilizador para um site que imita uma marca conhecida. A página pede depois dados pessoais, credenciais, palavras-passe ou dados bancários.

A diferença face ao phishing por e-mail é simples: ninguém consegue ler um quadrado de píxeis a olho nu. O reflexo habitual, passar o rato sobre o link antes de clicar, deixa de existir. É esse ponto cego que a fraude aproveita.

Onde aparecem estes QR codes fraudulentos?

Quase sempre em locais públicos, num suporte que ninguém vigia de forma permanente. O método é sempre o mesmo: um autocolante malicioso tapa um código legítimo, ou chega uma carta falsa à caixa do correio.

Estacionamento, parquímetros e postos de carregamento

É o caso mais frequente. Cola-se um autocolante no parquímetro ou no posto de carregamento e a página de pagamento copia o site da câmara municipal. As vítimas pagam um estacionamento que não existe e deixam ali os dados bancários. Vários municípios já alertaram publicamente para estas burlas.

Segurança Social, SNS e Finanças

A burla com QR code em nome de organismos públicos circula por carta ou por SMS. A mensagem anuncia um reembolso pendente ou um cartão de utente a renovar. O código leva a uma página falsa da Segurança Social Direta, do SNS 24 ou do Portal das Finanças, que pede o número de identificação e o IBAN. Nenhum organismo público pede dados bancários desta forma.

OLX, correio e entregas

Nos anúncios de classificados, um falso comprador envia um código de pagamento supostamente seguro. A vítima lê o código e valida, na prática, uma transferência a favor de quem o enviou. A lógica é a mesma nos avisos de entrega dos CTT ou de transportadoras deixados na caixa do correio.

O QR code do seu menu não é a mesma coisa

Um código de menu aponta para a sua própria página, alojada no seu fornecedor, sem formulários nem pagamentos. Não pede identidade, nem cartão, nem palavra-passe. O único risco real é alguém colar um autocolante por cima do seu, e isso resolve-se com material, não com tecnologia.

CritérioQR code fraudulentoQR code de menu controlado
Origem do códigoAutocolante acrescentado, carta desconhecidaImpresso ou gravado por si
Endereço abertoURL encurtado ou domínio imitadoO seu domínio, sempre o mesmo
Dados pedidosCartão bancário, palavras-passe, identidadeNenhum
Consequência da leituraFraude, débitos, usurpação de identidadeO menu abre no ecrã
No terreno, os incidentes em sala nunca vêm do QR code em si: vêm de um suporte frágil, colado à pressa, que qualquer pessoa tapa em dez segundos.

Como identificar um QR code falso

Ensine estes sinais à sua equipa. Chegam na quase totalidade dos casos e servem também para os seus clientes.

  • Um autocolante colocado por cima de outro suporte: descole um canto e veja o que está por baixo.
  • Um endereço encurtado ou um nome de domínio estranho: na dúvida, é melhor não ler o código.
  • Uma página que pede dados bancários quando só quer consultar um menu ou um horário.
  • Um sentido de urgência: multa a pagar, encomenda retida, conta suspensa.

Na maioria dos telemóveis, o endereço aparece antes de a página abrir. Confirme a primeira parte do domínio, a que vem antes da primeira barra. É ela que diz para onde vai realmente, como explicamos no nosso guia para ler um QR code em segurança.

Cinco gestos para proteger os clientes em sala

A segurança de um QR code num restaurante é uma questão de suporte físico e de rotina, não de informática.

  • Prefira o cavalete gravado, o autocolante com verniz de proteção ou o código impresso na própria carta a um autocolante simples.
  • Dê uma volta pela sala todas as semanas: um código tapado nota-se em trinta segundos.
  • Coloque o seu logótipo e o nome do estabelecimento à volta do código, para evitar confusões.
  • Leia você mesmo o código de duas mesas ao acaso todas as manhãs, à abertura.
  • Nunca peça dados pessoais nem pagamentos através desse código: os seus clientes vão perceber que, na sua casa, uma leitura abre apenas um menu.

O mesmo princípio vale para os restantes códigos do estabelecimento, incluindo o do seu acesso wi-fi para clientes.

O que fazer se você ou um cliente forem vítimas

Aja depressa: a maioria dos débitos fraudulentos ainda pode ser bloqueada nas horas seguintes. Cancele o cartão junto do banco, mude as palavras-passe reutilizadas noutros sítios e denuncie a burla nas plataformas oficiais.

Em sala, se encontrar um código falso, retire o suporte, fotografe-o e avise os clientes presentes. Apresentar queixa continua a ser útil, mesmo sem prejuízo financeiro: são estas denúncias que permitem detetar séries de autocolantes maliciosos num mesmo bairro.

O QR code continua a ser uma ferramenta neutra. Bem colocado e bem vigiado, não apresenta nenhum dos riscos de que falam estes casos de fraude.

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